Depois de conhecermos os segredos da cidade de Kyoto, de acompanharmos a jornada de Miyamoto Musashi e descobrirmos os planos do seu grande rival, Sasaki Ganryu, chegou a hora de sabermos quem é a mulher que está ao lado de Musashi durante toda essa jornada.
A força e a coragem de Shizuka Gozen
Quando pensamos em histórias do Japão antigo, de cara já imaginamos samurais com armaduras pesadas e espadas. No entanto, uma das figuras mais corajosas e marcantes de seu tempo foi uma mulher chamada Shizuka Gozen. Nascida no século XII, ela se apresentava no estilo conhecido como shirabyōshi , usando trajes inspirados nas roupas dos guerreiros e realizando apresentações ligadas a cerimônias religiosas. Shizuka ficou famosa ainda muito jovem quando, durante uma grande seca, foi a única capaz de fazer chover após realizar uma dança perfeita.
Artista: Shunsen
Seu talento chamou a atenção do jovem general Minamoto no Yoshitsune, o guerreiro mais popular da época, e ela se tornou sua companheira inseparável. A vida mudou completamente quando o irmão mais velho de Yoshitsune, o poderoso xogum Yoritomo, passou a considerá-lo uma ameaça política e mandou matá-lo.
Demonstrando sua lealdade, Shizuka largou o conforto da corte e decidiu fugir ao lado do general no meio de um forte inverno, pelas montanhas de Yoshino. O caminho ficou perigoso e Yoshitsune a convenceu a voltar para protegê-la, prometendo que iriam se reencontrar, mas ela acabou sendo capturada pelos inimigos logo em seguida.
Foi aí que a dançarina cerimonial provou que sua coragem era tão grande quanto a de qualquer samurai. Arrastada como prisioneira, foi obrigada a dançar no meio de um grande templo, em uma festa que celebrava a queda de Yoshitsune. Ela tinha tudo para se render, mas, ao subir no palco sem medo, cantou músicas que falavam abertamente sobre sua paixão por seu companheiro e sobre a dor da separação, chocando a todos e provando que sua coragem era maior do que a de qualquer guerreiro armado.
Além de tudo, Shizuka esperava um filho de Yoshitsune enquanto estava presa. Segundo a tradição, Yoritomo decretou que, se o bebê fosse uma menina, ela poderia viver em paz com a mãe, mas se fosse um menino, seria tirado dela imediatamente para não se tornar um guerreiro no futuro e buscar vingança. Infelizmente, ela deu à luz um menino e os guardas cumpriram a ordem na mesma hora. Com o coração completamente partido por perder o filho e o grande amor de sua vida, a jovem Shizuka decidiu virar monja budista e acabou falecendo com apenas 20 anos de idade.
Shizuka em Onimusha: Way of the Sword
A Capcom nunca teve o objetivo de reproduzir a história real de Shizuka. No game, quando Miyamoto Musashi precisa enfrentar os terríveis demônios Genma, ele conta com a ajuda de uma voz que vem de dentro de sua manopla. Essa mentora é Shizuka, conhecida na trama como a Dama Oni, uma entidade que acompanha Musashi durante a jornada e se torna peça importante no caminho do lendário samurai. Ao longo da aventura, ela revela segredos sobre os monstros, explica magias antigas e aconselha Musashi nos momentos difíceis.No título da Capcom, a Dama Oni não possui um corpo físico e aparece apenas como uma entidade. Ela tem um objetivo a realizar no mundo, mas, como não possui forma humana, precisa confiar no espadachim para fazer o que não consegue sozinha.
Criar a personagem também resolveu um problema prático para os desenvolvedores do jogo. O roteirista Hiroshi Yamashita explicou em entrevista que a equipe precisava de um jeito simples de apresentar a história de Kyoto e dos monstros, evitando que Musashi andasse pelas ruas conversando sozinho feito um maluco ou explicando coisas óbvias em voz alta. Assim, todas as informações importantes aparecem como uma conversa natural entre os dois.
O conflito e a parceria no controle
Toda essa convivência forçada cria uma dinâmica difícil logo de cara, já que Musashi e Shizuka pensam de formas totalmente opostas. Enquanto o espadachim quer treinar duro e encontrar uma forma de se livrar da manopla o mais rápido possível, Shizuka precisa que ele use esse poder sobrenatural para absorver as almas dos monstros, pois essa é a única maneira da Dama Oni cumprir sua missão e ser libertada do confinamento. Mesmo brigando e discordando no início, os dois sabem que precisam cooperar para sobreviver, o que torna a história muito diferente dos jogos antigos da série, em que os heróis aceitavam os poderes mágicos logo no começo.Essa "parceria forçada" ajuda o jogador durante toda a jornada. O game não tem aquele mapa tradicional cheio de setas piscando que poluem a tela. Em vez disso, Shizuka funciona como um GPS espiritual de Kyoto, liberando pequenas bolas de luz brilhantes de dentro da manopla para mostrar o caminho correto do objetivo principal e avisar, por comandos de voz, quando Musashi passa perto de um item secreto ou dos Pilares Sagrados.
Toda essa mecânica foi planejada para evitar uma companheira irritante ou repetitiva. Como Shizuka tem seus próprios interesses, segredos e uma personalidade muito forte, não fica repetindo ordens ou falando o óbvio. Ela cresce junto com o protagonista, fazendo com que o jogador queira entender seu passado e ver até onde essa união vai.
A Shizuka de Onimusha: Way of the Sword funciona como uma grande ponte que liga o folclore japonês ao universo de fantasia da Capcom. Muitos gamers devem lembrar que ela já apareceu em outros jogos famosos, como a série de ação Genji e o jogo de luta Samurai Shodown , mas nunca havia ocupado um papel como este.Agora que já sabemos como essa parceria funciona na Manopla Oni, chegou a hora de voltar os olhos para a ameaça que colocou Kyoto em perigo: os Genmas.
