Se você acompanha novidades sobre animes, jogos e cultura pop, provavelmente vai ouvir falar muito sobre um novo nome nos próximos meses: a Bilibili. A plataforma, uma das maiores do mundo, decidiu iniciar suas operações oficiais no Brasil. O aplicativo ganhou uma versão totalmente traduzida para o português e a empresa já abriu vaga de contratação em São Paulo. O objetivo principal é atrair criadores de conteúdo e fãs de tecnologia, buscando competir diretamente com redes consolidadas como o YouTube e o TikTok.
Com 371 milhões de usuários
A Bilibili não é novidade na Ásia. Criada na China em 2009, a empresa começou como um site pequeno onde fãs se reuniam para conversar sobre desenhos japoneses e quadrinhos. Com o tempo, o serviço cresceu e virou uma plataforma que mistura transmissões ao vivo e publicação de conteúdos. O tamanho do negócio impressiona: dados de 2026 apontam que a Bilibili tem 371 milhões de usuários por mês, e as pessoas passam, em média, cerca de 1 hora e 50 minutos por dia assistindo aos vídeos da rede.
O que são os comentários flutuantes
Quem entra no aplicativo pela primeira vez nota uma diferença visual logo de cara. Os comentários das pessoas não ficam escondidos: as mensagens passam flutuando por cima do próprio vídeo, exatamente no segundo em que as ações acontecem. Esse sistema se chama danmu (ou “chuva de balas”) e dá a sensação de que você está assistindo ao vídeo junto com milhares de pessoas ao mesmo tempo. Outro ponto de atenção é o cadastro mais simples na versão internacional, sem a verificação de identidade exigida no app chinês.
Dublagem por inteligência artificial e a disputa com a Crunchyroll
Seguindo os passos do YouTube, a Bilibili também passou a usar inteligência artificial para dublar vídeos de forma automática. A ferramenta ainda recebe críticas por cometer erros de tradução, mas já permite que um brasileiro assista ao canal de um criador estrangeiro ouvindo a voz dele em português.
A plataforma também mira o público de animes e, nesse terreno, acaba entrando em disputa com a Crunchyroll. A diferença é que a Bilibili não funciona só como um serviço de streaming de episódios — ela se posiciona como uma rede social, onde fãs e influenciadores conversam e publicam conteúdos no mesmo lugar.
Desafios pela frente
Apesar do potencial, o aplicativo ainda enfrenta obstáculos no Brasil. A empresa abriu recrutamento em São Paulo, mas ainda não tem um grande escritório no país. Para um criador brasileiro monetizar seus vídeos, é necessário cumprir requisitos mínimos de seguidores e visualizações, além de regras como ter conteúdo próprio e conta verificada.
Outro ponto sensível é a pirataria. A plataforma já foi criticada no passado por usuários que publicavam vídeos e animações sem autorização. Para ganhar confiança de marcas e parceiros, a Bilibili afirma que usará ferramentas de inteligência artificial para remover esse tipo de conteúdo.
Ainda é cedo para avaliar o impacto da plataforma no Brasil. Para quem gosta de animes, jogos e cultura pop, no entanto, vale a pena acompanhar de perto.
