CEO do estúdio afirma que candidatos com posicionamentos frequentes contra a prática podem não avançar no processo seletivo
O sucesso de WARDOGS trouxe atenção para a Bulkhead, mas também colocou a cultura de trabalho do estúdio no centro das discussões. Em entrevista ao The Game Business, o CEO Joe Brammer afirmou que a empresa considera a relação dos candidatos com o crunch durante os processos de contratação.
“ Muitas pessoas que possam ter um problema com o crunch — e com razão, eu entendo essa questão, tentamos sempre evitá-lo, mas não escondemos que isso vai acontecer em algum momento — frequentemente nem passam da porta. Queremos ser conhecidos por isso: este é um lugar onde se vem para trabalhar duro. Se você se importa com o trabalho que está fazendo e com o resultado do que cria aqui, vai se sentir muito valorizado. Se não se importa, vai se sentir escravizado .”
De acordo com Brammer, a Bulkhead consulta as redes sociais públicas dos candidatos e pode deixar de avançar com pessoas que publiquem repetidamente críticas à prática. Para o executivo, profissionais que não concordam com períodos de trabalho intenso provavelmente não se adaptariam à cultura da empresa.
“ Verificamos as redes sociais das pessoas. Se você está constantemente publicando mensagens anti-crunch — ‘Isso nunca deveria existir’ — nós sabemos disso e dizemos: ‘Olha, você não vai ser feliz aqui, então não vamos seguir com você .’”
O crunch é uma prática recorrente na indústria de jogos e envolve períodos de jornadas prolongadas durante etapas críticas do desenvolvimento. Brammer reconheceu que a Bulkhead tenta evitar esses períodos, mas afirmou que eles podem acontecer ao longo da produção.
As declarações ganharam repercussão justamente após WARDOGS superar 2 milhões de cópias vendidas poucos dias depois de chegar ao acesso antecipado.
Depois da repercussão, o CEO voltou a se manifestar para contestar a ideia de que o crunch seria obrigatório no estúdio. Segundo ele, funcionários podem optar por não participar desses períodos.
