Durante boa parte da história dos videogames, havia um ritual bastante simples: comprar um jogo, jogar durante algumas semanas, chegar aos créditos e partir para o próximo. Essa lógica não desapareceu, mas deixou de ser o único modelo dominante da indústria.
Hoje, alguns dos maiores jogos do planeta foram lançados há cinco, dez anos ou até mais e continuam recebendo atualizações, personagens, temporadas, eventos e novas formas de monetização. Fortnite , League of Legends , Counter-Strike, GTA Online, Minecraft , Roblox e outros títulos ajudaram a transformar uma ideia fundamental: o objetivo não é mais necessariamente fazer você terminar o jogo, mas fazer com que você nunca o abandone.Por décadas, a principal transação da indústria era direta. Uma empresa produzia um jogo, o consumidor pagava por ele e, algum tempo depois, o estúdio começava a trabalhar no próximo lançamento. Expansões, DLCs e outros conteúdos adicionais começaram a prolongar esse ciclo, mas foi a popularização da internet e dos jogos permanentemente conectados que abriu caminho para uma mudança muito maior: transformar um videogame em um serviço continuamente atualizado.
Nesse novo modelo, o lançamento deixou de representar o final do desenvolvimento e passou a ser apenas o começo. Temporadas, battle passes, skins, novos personagens, mapas, modos de jogo e eventos especiais mantêm o produto em constante movimento, criando motivos para que os jogadores retornem regularmente.
Para as empresas, a vantagem é evidente. Em vez de precisar conquistar novamente o consumidor a cada novo lançamento, torna-se possível manter uma comunidade dentro do mesmo ecossistema durante anos e monetizar repetidamente essa base de jogadores.
Parte da indústria passou a enxergar seus produtos de forma diferente. O sucesso de um jogo deixa de ser medido só pelo número de cópias vendidas no lançamento e passa a depender, cada vez mais, do tempo que ele consegue permanecer relevante e presente na rotina dos jogadores.
